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A ÉTICA NA ENGENHARIA

 

No último livro que publiquei “Cartas a um Jovem Engenheiro”, voltado a orientar futuros profissionais, dediquei um capítulo à Ética na Engenharia que inclusive será o tema de um próximo livro que lançarei, com outros autores, ainda este ano.

 

Mais recentemente na passagem que tive pela Presidência da CEDAE me saltou os olhos como o tema da Ética tangencia as práticas de alguns profissionais da engenharia que deveriam zelar pelo bom nome da profissão em especial perante a mídia. Muitos devem se lembrar do caso do rompimento de uma adutora quando alguns profissionais, inclusive falando por entidades representativas, buscaram de maneira açodada e irresponsável colocar a culpa na empresa, o que depois foi comprovado ser de responsabilidade de terceiros, uma empresa de refrigerantes e sua empreiteira, sem que houvesse o devido pedido de desculpas. O mesmo aconteceu na explosão de bueiros na cidade do Rio quando outros “especialistas” e até dirigentes de empresas, realmente responsáveis, tentaram colocar a culpa das explosões pelo “gás do esgoto”.

 

Agora mais recentemente na crise hídrica porque passa o país em especial a região Sudeste, alguns profissionais da engenharia, tentam distorcer dados, inclusive de perdas e de investimentos necessários para buscar lançar à débito do Governo do Estado e da CEDAE a questão da crise que de fato ainda não chegou até pelo trabalho feito. Tal posição no campo de psiquiatria poderia até se explicar como sendo ato de esquizofrenia técnica ou até bipolaridade, pois alguns destes engenheiros foram, por quase uma década, gestores dos recursos hídricos pelo próprio estado e muitas vezes responsáveis por emitir outorgas para uso industrial, controle do desmatamento de margens e pelo combate captações clandestinas estes sim teoricamente agravadores da crise em eventuais momentos críticos.

 

Quando tais críticas partem daqueles que são leigos ao tema ou por políticos que receberam tal missão, pode até se entender que aconteçam tais pronunciamentos e diagnósticos, pois muitas vezes são em busca de notoriedade e holofotes para se credenciar diante de suas funções, apesar de soar como ato bisonho para os que conhecem o tema, que inclusive possui cobertura feita por jornalistas especializados. Neste contexto e na própria história da humanidade os próprios ensinamentos religiosos já apontam este princípio atenuante no célebre “Pai perdoai-lhes, pois só são ignorantes”.

 

Quanto porém tais críticas partem daqueles que conhecem o setor e até que administraram empresas, agências, órgãos e portanto políticas para o setor isto só pode soar como sendo um ato de má fé ou uma ação que pode estar travestida de um interesse inconfessável para beneficiar algum setor, para lançar nuvem de fumaça para as suas omissões no passado, e que muitos na política chamam de manobra diversionista, ou até de ação político partidária, mas que perante a Engenharia é um ato lamentável e que extrapola a ética da profissão e um péssimo exemplo para os jovens profissionais de engenharia.